O dilema do eleitor
Um exército de aproximadamente cento e vinte candidatos a vereador, quatro a prefeitos e quatro vices-prefeitos já está pronto para a marcha contra o relógio na busca pelas dez vagas no legislativo municipal e pelo cargo de prefeito e vice de Trindade. Durante meses as correntes ideológicas que compõem o cenário político local se articularam para somar forças e afunilar propostas.
Inicialmente existiam duas forças que caminhavam em sentidos contrários. Uma representada pelos partidos que fazem parte da base aliada do governo municipal; outra composta por inúmeras correntes descontentes com a atual administração municipal e que tinham como principal discurso a derrubada do poder. Esta força opositora ao governo municipal se identificou como sendo o Fórum dos partidos que apóiam o governo de Lula da Silva, em defesa de Trindade. Esta frente, inicialmente contava com a possibilidade de aglutinar até quinze legendas partidárias. Liderada pelo PT e pelo PMBD, o Fórum tornou-se um palanque eleitoral, promovendo inúmeras reuniões, na tentativa única de afunilar uma candidatura majoritária que viesse satisfazer a maiorias dos partidos políticos ligados ao Fórum.
No processo de afunilamento duas correntes se conflitaram e do Fórum político saíram as candidaturas do PMDB/PT e a do PP/PC do B. Ambas as candidatura majoritárias conseguiram administrar bem e lograram alguns frutos advindos das inúmeras articulações feitas durante o tempo que o Fórum sobreviveu.
A renúncia de Valdivino Chaves forçou o PMDB e o PT a improvisarem e, mesmo enfraquecidos com a desistência já prenunciada do velho cacique, conseguiram manter uma parte significativa das correntes partidárias da antiga frente. Com o vereador Ricardo Fortunato ficou o PT, PRB, PDT, PHS, PSL e PSOL.
Já o PP foi o partido que levou a parte menor, uma vez que somente duas agremiações o acompanharam na invernada do processo eleitoral. PC do B e PTN, duas legendas que não têm tradição em embates partidários na política local, hoje caminham com o advogado Alexandre César.
Por sua vez a corrente governista saiu mais uma vez fortalecida do processo político. O empresário Jânio Freire (PSDB) apoiado pelo prefeito George Morais conseguiu manter a base aliada sofrendo perdas insignificantes que, no bojo da campanha não farão muita diferenças, já que o PDT, único partido da base que debandou, foi para o outro lado enfraquecido e sequer teve uma chapa de vereadores convincente.
Jânio conseguiu montar uma coligação forte com 13 partidos e 73 candidatos a vereadores. Se o processo político seguir a norma histórica de que os fortes sempre vencem os fracos Jânio sai na frente deste primeiro momento nesta política eleitoral. Primeiro pelo fato dele aglutinar um bom tempo de rádio e possuir um maior volume de candidatos a vereador levando as suas propostas. Segundo por que ele apresenta possuir uma maior estrutura partidária e financeira, a partir da previsão de gastos apresentado junto a justiça eleitoral.
Correndo por fora está o empresário Jerônimo Bintencourt do DEM. Ele colocou o seu bloco na rua com poucos integrantes e vai se valer do trabalho social que vem realizando ao longos dos anos. Bitencourt sabe que a sua trajetória política não será fácil devido aos poucos recursos e inexperiência. Entretanto ele pode ser a bola da vez que poderá aglutinar os votos dos descontentes com o prefeito George Morais e que não vão querer votar no sonhador Alexandre e o desgastado Fortunato.
Avaliando o processo e apontando uma síntese do quadro político apresentado, o que tenho a dizer para terminar é que se o minúsculo exército das três correntes que se opõem à frente que caminha com Jânio não se unir será esmagado pelo exército dos 300 espartanos do gigantesco Atarxerses.







